O Conceito
Os Pontos de Cultura e o projeto Casa Brasil são alguns exemplos de sucesso de iniciativas que aliam a instrumentalização tecnológica com a produção cultural das comunidades mais afastadas ou que possuem pouca visibilidade nos grandes centros urbanos. Existe uma variedade imensa de produtos culturais e atividades acontecendo hoje nos Pontos de Cultura, Casas Brasil, Cineclubes, Rádios Livres e TVs Comunitárias que precisam tanto de visibilidade quanto de integração.
A maior parte das famílias brasileiras possui a TV hoje como a sua maior (quando não a única) fonte de comunicação, sendo que o mercado da comunicação no país é dominado por 6 redes privadas. Boa parte do conteúdo veiculado nas grandes redes é produzido no eixo Rio - São Paulo. Em Santa Catarina, por exemplo, os espaços para as produções locais na TV aberta estão entre 5% e 23%. Em tempos de debate sobre a classificação indicativa, é mais do que imprescindível regulamentar a programação televisiva. E é preciso ir além, educando as crianças e os adolescentes para uma consciência crítica do que é anunciado, sendo que muitas vezes o que é anunciado é inalcançável. A questão do monopólio dos meios de comunicação no Brasil é apenas mais um dos obstáculos a serem superados em prol de uma sociedade mais justa.As demandas culturais dos micro-universos existentes nos centros comunitários, bairros e pequenos municípios vem sendo tratada de forma gradativa pelo Ministério da Cultura. É preciso tratar agora das soluções nos macro-universos, para os espaços entre os pontos.
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A escolha da entidade do hinduísmo “Ganesha” se deve aos significados em torno de sua identidade: Ganesha é o símbolo das soluções lógicas e da quebra de obstáculos. Seu corpo é humano com uma cabeça de um elefante, sendo que uma de suas presas está quebrada. Segundo o poema épico Mahabharata, uma das versões do motivo desta presa estar quebrada é porque um sábio pediu para Ganesha transcrever um poema enquanto ele o ditava. Ganesha concordou, mas somente na condição de que o sábio recitasse o poema sem interrupções. |
Só lhe restou quebrar uma de suas próprias presas e usa-la como caneta.
O simbolismo da doação no gesto de Ganesha, que tirou uma parte de si mesmo para registrar uma manifestação artística, foi a inspiração necessária para batizar este projeto de Pontão Digital, que nada mais é do que uma plataforma para auxiliar os agentes culturais, movimentos sociais (que, como Ganesha, muitas vezes tiram de si próprios os recursos para manterem seus projetos) a ultrapassarem mais um obstáculo: o da comunicação.



