CACTOS “(...)Aquele cacto lembrava os gestos desesperados da estatuária Um dia um tufão furibundo abateu-os pela raiz. O cacto tombou atravessado na rua(...) - Era belo, áspero, intratável.” Manuel Bandeira O Cacto neste vídeo aparece como um elemento estranho em meio a uma paisagem naturalista. Tal é a concepção que norteia o presente vídeo-dança, no qual a dança está contida no olhar do espectador que observa, admira e estranha os movimentos de transeuntes na rua. O conceito de dança surge como recorte do olhar do câmera que comporta-se como um espectador que filma e é criador da arte ao colher imagens de variações de movimento em corpos urbanos grotescos. O vídeo transforma o espaço social rua, de aspecto naturalista, em um lugar com potencial artístico ao colocar o transeunte de corpo de forma distorcida, incomum, estranha como oposição a paisagem cotidiana e naturalista. Para tanto, neste vídeo o indivíduo aparece como performer à medida que o espectador o observa na rua. Sua expressão dialoga com as palavras de Manuel Bandeira em seu poema: O Cacto.