Chá de flor é um curta-metragem que tem uma narrativa que enfatiza o absurdo de forma sutil. Júlia, a personagem principal, é uma artista plástica que está em conflito consigo mesma e com um bloqueio criativo que a artomenta. Flores, rostos embaçados, formigas, espelhos, poemas dadaístas e vários "eus" são elementos que remetem a nomes do cinema surrealista como Luis Buñuel, precursor do movimento na linguagem cinematográfica, e David Lynch, referência para o que chamamos hoje de cinema neo-surrealista, a intenção foi unir o passado e o presente da linguagem cinematográfica surrealista. Com uma introdução e um desfecho em preto e branco que remete aos primórdios do cinema surrealista ou até mesmo a David Lynch que usa desse mesmo recurso em Império dos sonhos, Chá de flor é montado através de cortes secos que unem planos desprovidos de lógica, trilha sonora experimental dramática, desfoque, repetição de planos e inserts que confundem, esses são alguns dos elementos presentes e visíveis no filme. A realidade da personagem se confunde com o seu inconsciente, o que torna possível para o espectador uma interpretação subjetiva da narrativa.